quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aluno da PUC-SP diz que vestiu saia para experimentar o preconceito


Ele é homem, branco, com traços europeus, heterossexual, de porte atlético e classe média. Foi só em 2012, aos 20 anos, que Erick Calistrato percebeu que seu perfil era o oposto de muitas pessoas vítimas de preconceito. Para entender melhor a reação que as pessoas sofrem ao ser discriminadas, ele decidiu vestir uma saia escocesa que ganhou de presente da namorada para sair de casa e ir até a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde estuda letras. `Quis sair um pouco do pedestal`, explicou op estudante ao G1. 

Desde então, Calistrato nunca mais vestiu a saia em público, mas pretende, se tiver tempo, voltar a usar seu `kilt` na PUC-SP nesta quinta-feira (16), data em que estudantes de pelo menos cinco campi da Universidade de São Paulo (USP) planejam uma manifestação de transgressão de padrões de gênero, com homens vestindo saias e mulheres vestindo roupas atribuídas à masculinidade. 

O evento é uma resposta a ofensas recebidas por um estudante da USP Leste que decidiu acrescentar a peça ao seu guarda-roupa. O estudante da PUC, que já passou pela experiência, diz que só deve aderir se conseguir imprimir panfletos e promover o diálogo e a reflexão sobre o respeito à diversidade e os estereótipos de gênero. 

No dia em que Calistrato vestiu sua saia, não houve uma manifestação artística ou cultural, apenas sua vontade `de saber como outra pessoa se sente, para experimentar, para ver como seria aquilo`. Quase um ano após essa experiência, ele se considera `uma pessoa muito melhor`, nem tanto pelas horas que passou na rua e na faculdade vestindo uma peça de roupa convencionalmente restrita ao sexo oposto, mas por causa das pessoas que ele conheceu depois de publicar, no Facebook, um relato do seu dia ao lado de uma foto sua vestindo a indumentária. 

Calistrato contou que sua saia no modelo `kilt` é bastante confortável e foi bem recebida no campus da PUC. `Foi muito tranquilo. As pessoas olhavam com um certo espanto, mas, como na faculdade as pessoas tendem a ser menos reacionárias e mais aberta às diferenças, só ouvi um comentário maldoso.` Ele agora a veste apenas dentro de casa, primeiro porque `não é fácil` enfrentar as reações e, em segundo lugar, porque ele a considera `formal demais` para a maioria dos seus compromissos. 

Nas ruas 

O maior problema de vesti-la em público no ano passado, segundo ele, foi no trajeto de casa à universidade. No metrô, no ônibus e nas ruas, ele contou que recebeu olhares chocados. 

`Quando não era choque, as pessoas apontavam rindo ou cutucando alguém do lado. Uma moça, inclusive, ria até quase cair no chão, o que me fez instintivamente rir também, apesar de não me sentir bem com a situação.` Ele acredita que quem não sabe que um `kilt` é usado por homens na Escócia pode ter concluído, apenas pela aparência, que ele é homossexual. 

`As pessoas confundem sexualidade com gênero, elas devem ter praticado homofobia comigo. Devem ter tido a mesma reação quando vêem um menino afeminado gesticulando, associaram àquilo que elas já sabem.` 

Na rua, ele diz que sentiu medo de que alguém mexesse em sua saia ou resolvesse demonstrar que se sentiu intimidado por sua maneira de se vestir. 

Para o estudante de letras, é natural que alguém reaja a aparências e comportamentos que saem do padrão em qualquer circunstância --ele mesmo, que adotou o veganismo no ano passado, se diz acostumado às caretas que recebe quando revela sua escolha de proteção aos animais. E também admite já ter estado do outro lado. 

`Na primeira vez que vi essas pessoas [que se apresentam de forma diferente] eu senti aquele preconceito gritando dentro de mim, mas eu fui atrás para descobrir por quê`, explicou. 

O problema, de acordo com ele, `é se sentir excluído, olhado, observado, comentado, em casa passo, ridicularizado em público`. Por isso, ele afirmou que torceu para que o fim do dia chegasse logo. `Covardemente desejava chegar em casa logo, pra que a minha experiência acabasse de uma vez. Mas passar por isso me fez ter um mínimo de ideia, em um grau bem reduzido, do que uma pessoa `trans` passa, que naturalmente quebra com estereótipos de gênero, se essa pessoa se apresentar `diferente`.

Preconceito e reação 

Seu relato recebeu mais de dez mil manifestações de apoio, quase 500 comentários e foi compartilhado por mais de 7.400 usuários. Ele diz que não recebeu nenhuma ofensa que atingisse sua integridade, e que seu texto chegou a pessoas `trans`, termo usado para definir quem não segue a definição de gênero atribuída pela biologia. `Logo recebi um convite de uma pessoa de um grupo no Facebook que discute a questão de gênero, o grupo é composto só por pessoas `trans`, e eles e elas me chamaram para discutir mais comigo, aprendi muita coisa`, contou Calistrato, que afirma ter feito grandes amizades ali. 

O jovem contou que recebeu críticas dos leitores `trans` ao seu texto, e que um dos aprendizados que ele afirma ter adquirido com o grupo é sobre a importância de tomar cuidado ao falar sobre o preconceito do outro. `Hoje sou uma pessoa muito melhor por causa disso, tenho muito mais preocupação com injustiças sociais e ética por causa disso, por causa das pessoas que eu conheci depois do texto.` Para ele, brancos falando sobre racismo ou heterossexuais falando sobre homofobia devem ter menos exposição do que quem vive esses preconceitos diariamente, e pode falar com mais propriedade sobre o assunto. Para isso, é necessário que movimentos como o `saiaço` marcado para a quinta-feira na USP não só consigam sair dos portões das universidades, mas também coloquem na posição de protagonistas quem é sofre discriminação por não se vestir de acordo com a norma padrão. 

`A gente deve lembrar as pessoas que o mundo não é tão binário, tão fácil de entender, tão cheio de certo e errado, de moral e imoral, de sim ou não.`

Fonte: G1 GLOBO.COM, por Ana Carolina Moreno

quinta-feira, 18 de abril de 2013

No Brasil, 546 mil alunos usam barcos como transporte escolar


No Brasil, 545.968 estudantes usam barcos ou embarcações para frequentarem a escola, segundo dados do Censo da Educação Básica. Desses 165,2 mil moram no Estado do Pará e outros 100,4 mil estão no Amazonas. 

Apesar de ser grande, o número representa apenas 1% dos alunos matriculados na rede. A grande maioria dos estudantes brasileiros usam ônibus e micro-ônibus para irem a escola ( 6,59 milhões). O número representa 13 % dos estudantes matriculados na educação regular, especial ou de jovens e adultos no ano de 2012.

O transporte rodoviário é o mais comum no país. Além dos estudantes que usam ônibus e micro-ônibus, 802,8 mil alunos vão para a escola em vans ou kombis. Apenas 39.437 usam bicicletas para se locomover no trajeto até a escola. Há também 876 estudantes que usam tração animal, como o cavalo.

A pesquisa, feita pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mostra que há ainda 1.227.988 alunos que usam outro tipo de veículo rodoviário, que pode ser, por exemplo, carro ou moto.

Segundo os dados do Inep, apenas 15.930 alunos vão para a escola de metrô ou trem.
Dos 50,5 milhões de matriculados na rede de ensino em 2012, apenas 8,7 milhões usavam transporte escolar público.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sexualidade: descobertas e superação!

A vivência da sexualidade é um aspecto essencial da vida do ser humano. E não é porque uma pessoa se descobriu soropositiva que deve deixar sua sexualidade de lado. A diferença é que o sexo deverá ser sempre com camisinha. Esse cuidado é para não transmitir o HIV, vírus causador da aids, e para evitar uma nova infecção pelo vírus e por outras doenças sexualmente transmissíveis. A reinfecção provoca aumento na carga viral e risco de adquirir outras mutações virais. Com isso, a eficácia do tratamento com os remédios antirretrovirais pode ser comprometida. Por isso, é preciso usar a camisinha sempre!

As dificuldades em usar o preservativo também podem estar presentes por diversos motivos: a falta de hábito de usá-lo antes da descoberta da infecção, a sensação de que a camisinha atrapalha a relação, o esquecimento ou mesmo a crença de que não precisa usar preservativo quando ambos os parceiros são soropositivos. É fundamental encontrar formas de superar essas dificuldades e construir alternativas prazerosas e seguras para que as pessoas continuem se relacionando afetiva e sexualmente.

Conheça as formas de contágio da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis e saiba como se prevenir.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Educação afetivo sexual: um processo de descobertas...


A natureza social da identidade de uma pessoa deve-se ao fato de ser constituída segundo a visão que ela tenha de si mesma, à luz da impressão que percebe estar causando nos outros. Nesse processo, o sujeito é sensível às reações alheias, tanto em seus aspectos positivos, como admiração, afinidade de interesses, simpatia e atração sexual, quanto nos negativos, como rejeição e indiferença. Por isso, para alguns cientistas sociais a identidade é um fenomeno social e não natural.

A maneira de ser, de ver o mundo e de nele posicionar-se tem como referência os valores e costumes do meio.

De tal forma a identidade pessoal é impregnada pela cultura. Mas os diferentes grupos de convivência e a experiência dos papéis desempenhados ao longo da existência vão produzindo as modificações próprias do processo de amadurecimento. A construção da identidade é um permanente movimento. O ser humano é mutante e inacabado, como um rio que passa e nunca é o mesmo a cada vez que o olhamos.

Conheça o trabalho da Martins Pereira e suas multiplas abordagens sobre sexualidade junto aos adolescentes e jovens.

Enfermeiro passa a realizar testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites virais

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por meio do parecer normativo nº001 de 2013, aprovou a competência do profissional Enfermeiro para realizar testes rápidos para diagnósticos de HIV, sífilis e outros agravos.

A decisão tem o objetivo de ampliar o acesso ao diagnóstico do HIV, sífilis e Hepatites virais, além de seguir as diretrizes repassadas pelo Ministério da Saúde no sentido de implementar estratégias de acesso ao diagnóstico de determinadas doenças, especialmente em gestantes e populações mais vulneráveis.

O Cofen ressalta que, para a realização dos testes de diagnóstico, é necessário que o Enfermeiro esteja devidamente capacitado, sendo restrito ao profissional de nível superior de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

A partir da normatização na realização destes testes rápidos pelos enfermeiros, cessa a polêmica existente quanto à competência de qual profissional estaria apto a realizar tais testes.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A cada 100 jovens, 36 abandonam a escola antes de concluir o ensino médio


De cada 100 brasileiros com idades entre 18 e 24 anos, 36 abandonam os estudos antes de concluir o ensino médio. O dado integra o Censo Demográfico 2010 e foi divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a taxa de abandono escolar nessa faixa etária tenha caído 11,5 pontos porcentuais entre 2000 e 2010, ainda não há motivo para comemoração. Isso porque o índice mais recente, de 36,5%, supera em dez pontos porcentuais o registrado, por exemplo, em Portugal, país que em 2010 era apenas o 27º colocado na avaliação internacional Pisa (o Brasil era o 53º). Quando comparados a resultados de nações como Suíça e Suécia (14º e 19º no Pisa, respectivamente), os números brasileiros tornam-se ainda mais preocupantes: a taxa de abandono por aqui é quase seis vezes superior à medida nas duas nações europeias.

Os dados por gênero mostram diferença significativa entre jovens do sexo masculino e feminino. Entre os brasileiros, o índice de abandono escolar chega a 41,1%, ante os 32% medido entre mulheres.

O estudo traz outro dado alarmante: dos jovens que abandonam a escola, pouco mais da metade (52,9%) não chega a completar o ensino fundamental. Outros 21,2% chegam a ingressar o ciclo médio, mas interrompem os estudos antes da conclusão. Os 25,9% restantes, de acordo com o IBGE, correspondem a pessoas que deixaram os estudos de lado após finalizar o 9º ano do ensino fundamental ou aos aos jovens sem instrução formal.

Diferenças territoriais – Os municípios que apresentam as menores taxas de abandono estão localizados na região Sul e no estado de São Paulo. São vinte cidades, com índices variando entre 6,5% a 17,2%. Do outro lado da lista, a pior situação é verificada na cidade de Doutor Ulysses, no Paraná: lá, mais de 80% dos jovens param de estudar antes concluir o ensino médio.

Em consequência do abandono, é grande o número jovens que não cursam a série adequada à sua idade. Segundo o IBGE, apenas 47,3% dos estudantes com idades entre 15 e 17 anos estão no ensino médio. Em alguns municípios, o índice é assustador. É o caso de Melgaço (PA) e Atalaia do Norte (AM), em que cerca de 5% dos jovens estão na série adequada.

Os dados recém-divulgados pelo IBGE sobre a educação brasileira vão ao encontro de outro estudo do IBGE, lançado no fim de novembro, que apontou o ensino médio como a etapa mais problemática da educação básica. O relatório revelou que 48,2% dos jovens entre 15 e 17 anos de idade não estavam na série escolar apropriada. O número difere do apresentado agora (47,3%) porque mesclava dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 com informações fornecidas pelo Ministério da Educação (MEC). Agora, com o Censo Demográfico 2010, os dados contemplam toda população.

Fonte: Revista Veja

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

As 12 tendências tecnológicas da educação brasileira até 2017


Laboratórios móveis, redes, inteligências colaborativas, geolocalização, aprendizado baseado em jogos, conteúdo aberto. Achou essa lista futurista demais para ser usado em escala nas escolas do Brasil, públicas e privadas? Talvez ela não seja tão inalcançável assim. O sistema Firjan reuniu um grupo de 30 especialistas para analisar o estado do uso da tecnologia em práticas no país e fez prognósticos sobre quais ferramentas já estarão sendo usadas em escala em um horizonte de até cinco anos.

O estudo “As Perspectivas Tecnológicas para o Ensino Fundamental e Médio Brasileiro de 2012 a 2017: Uma Análise Regional do NMC Report”, divulgado nesta semana, identifica 12 tecnologias emergentes que têm potencial para impactar o ensino, além das dez principais tendências e os dez maiores desafios da educação brasileira.

Entre as 12 tecnologias apresentadas, quatro foram apontadas entre as que devem começar a fazer parte massivamente das salas de aula em menos de um ano: ambientes colaborativos, aprendizagem baseada em jogos e os dispositivos móveis representados por celulares e tablets; outras quatro estavam entre as que devem começar a ter seu uso mais frequente em dois ou três anos: redes, geolocalização, aplicativos móveis e conteúdo aberto; e mais quatro foram podem ser esperadas em um período de quatro ou cinco anos: inteligência coletiva, laboratórios móveis, ambiente pessoal de aprendizagem e aplicações semânticas. (Alguns desses termos podem ainda não estar claros, por isso o Porvir preparou um infográfico explicativo, confira abaixo).

Feito pela primeira vez no Brasil, o estudo insere um capítulo regional ao já tradicional Horizon Report, que anualmente faz previsões sobre o uso da tecnologia no universo educacional. O panorama global permitiu também comparações entre o contexto brasileiro e o internacional. Bruno Gomes, assessor de tecnologias educacionais do Sistema Firjan e participante tanto da pesquisa global quanto da nacional, ressalta alguns pontos em que nós nos distanciamos muito do mundo. “No Brasil, a gente já consegue ver o hardware, as coisas físicas em sala de aula, como o celular e o tablet. Mas falta a internet, então tudo que é feito na nuvem ou depende de uma rede boa e estabilizada vem depois”, diz.

Por isso, enquanto nos países ibero-americanos e na pesquisa global a computação em nuvem é uma realidade esperada em um ano, os especialistas brasileiros nem sequer apostaram nela para um panorama de até cinco anos. “Outra curiosidade é que, conteúdo livre, que já está acontecendo no mundo, ainda não vai acontecer no Brasil neste ano. O brasileiro ainda é apegado à autoria”, acrescenta Gomes.

Apesar das diferenças, alguns pontos são comuns em todas as partes do mundo, principalmente no que diz respeito aos desafios encontrados. “Formação de professores é um problema para o mundo”, ressalta Gomes. No relatório divulgado durante o evento Conecta 2012, que terminou hoje, os especialistas destacam também outra relevante coincidência entre o que esperam ver no Brasil e o que está posto no mundo. “Os 30 membros do conselho deste projeto concordaram com o conselho global em relação à tendência mais importante. Eles perceberam as portas se abrindo nas escolas de educação básica no Brasil para modelos de aprendizado híbrido e colaborativo”, afirmam os autores do relatório.

TECNOLOGIAS DE SALA DE AULA – ESPECIALISTAS INDICAM 12 FERRAMENTAS QUE ESTARÃO NAS ESCOLAS ATÉ 2017
 
1 ano ou menos – Polarização de dispositivos
 
Ambientes colaborativos
Espaços online que visam facilitar a colaboração e o trabalho em grupos. Nesse tipo de ambiente, a interação acontece independente de onde os alunos estejam

Aprendizagem baseada em jogos
Interação de jogos nas experiências educacionais; os benefícios têm se comprovado em desenvolvimento cognitivo, colaboração, solução de problemas e pensamento crítico
 
Celulares
Especialmente quando se fala em smartphones, são o ponto de convergência de muitas tecnologias; permitem acesso a um volume muito grande de informações na palma da mão
 
Tablets
Como os celulares, têm a facilidade da mobilidade e possibilitam aulas dentro e fora da escola. Dispositivos aumentam o leque de recursos pedagógicos
 
2 a 3 anos – Uso dos softwares
 
Redes
Investimento em banda larga para grandes eventos esportivos e o maior número de smartphones facilitam acesso rápido, barato e fácil a todos os tipos de informação

 Geolocalização  
Ferramentas recentes permitem a determinação da localização exata de objetos físicos, além da combinação com dados sobre outros eventos, objetos ou pessoas

 Aplicativos móveis 
Nova indústria de desenvolvimento de softwares cria um universo de novas possibilidades educacionais, com compartilhamento de descobertas em tempo real
 
Conteúdo aberto
Conteúdo disponibilizado gratuitamente, via web, dá acesso não apenas à informação, mas ajuda no desenvolvimento de habilidades de pesquisa, avaliação e interpretação
 
4 a 5 anos – Apropriação dos softwares
 
Inteligência coletiva
Conhecimento existente nas sociedades ou em grandes grupos. Como hoje a produção de conhecimento não é mais um monopólio, várias redes são criadas cotidianamente
 
Laboratórios móveis
A tecnologia facilitou que pesados equipamentos, antes disponíveis apenas em bons laboratórios de ciências pudessem ser inseridos em simples celulares
 
Ambiente pessoal de aprendizagem
Formado por uma coleção pessoal de ferramentas montadas para apoiar seu próprio aprendizado; lista é organizada de forma independente e é focada em objetivos individuais
 
Aplicações semânticas
Aplicativos que organizam informações de várias fontes e fazem associações entre elas, apresentando o resultado de forma atraente ao usuário

Fonte: Horizon Report (Brasil 2012)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Destinar royalties à educação é investir no futuro, diz Dilma

A destinação de recursos dos royalties do petróleo para a área da educação foi tema abordado hoje pela presidente Dilma Rousseff no programa semanal de rádio `Café com a Presidenta`. `Eu enviei ao Congresso uma Medida Provisória que destina todos os royalties e as participações especiais arrecadados com as futuras concessões de petróleo e gás para a educação e 50% do Fundo Social, que é integrado pelos recursos do pré-sal`, disse Dilma. Segundo a presidente, esse será `o maior investimento que o Brasil vai fazer no presente e no futuro de todos os seus filhos`.
 
A presidente vetou nesta sexta-feira a mudança na forma de dividir os royalties de petróleo recolhidos nos campos já em exploração e confirmou que o dinheiro que for obtido com a compensação em novas áreas terá de ser aplicado na educação. O veto vai gerar nova batalha no Congresso liderada pelos parlamentares que representam Estados e municípios que pouco produzem petróleo no País.

A presidente argumentou também no programa de rádio desta manhã que o governo está trabalhando para construir uma economia mais forte e mais competitiva, e uma sociedade mais justa, com mais oportunidades, com renda maior, emprego melhor, ascensão social e conquista de direitos para todos. `Nenhuma criança brasileira pode ficar de fora`, destacou. A nova MP à qual se referiu a presidente deve ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

Dilma iniciou o programa falando sobre o programa `Brasil Carinhoso`. `A partir deste mês, a renda das famílias com crianças e jovens, de 7 a 15 anos de idade, vai ser complementada para que cada uma das pessoas tenha renda de pelo menos R$ 70 por mês`, explicou. Ela lembrou que o programa foi ampliado e passou a pagar também para as famílias com filhos de 7 a 15 anos de idade (antes atendia famílias com crianças entre zero e seis anos). Dilma ressaltou que 42% dos brasileiros que vivem hoje na extrema pobreza têm menos de 15 anos de idade.

De acordo com a presidente, nos seis meses da primeira fase do Brasil Carinhoso foi possível tirar da extrema pobreza mais de 9 milhões de pessoas, contando as crianças até 6 anos e suas famílias. `Com a expansão para as famílias com filhos de 7 a 15 anos, vamos beneficiar, ao todo, 16,4 milhões de pessoas em todo o País`, defendeu.

Dilma, entretanto, disse que essa mobilização no combate à pobreza começou com a criação do Bolsa Família, há 9 anos. `Se não fosse o Bolsa Família, ainda teríamos 36 milhões de pessoas na pobreza extrema. Fomos aperfeiçoando e agora temos que continuar e podemos acabar de vez com a miséria no nosso País`, disse a presidente.

Fonte: Agência Estado

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Google: escola precisa incentivar talentos para a tecnologia

Executiva do Google na América Latina, Eve Andersson falou nesta quinta-feira para uma plateia de mais de 1 mil estudantes e professores, em Porto Alegre (RS), sobre as dificuldades de se encontrar talentos para trabalhar no crescente mercado da ciência da computação no mundo. Segundo ela, a escola tem papel fundamental nesse processo, estimulando principalmente as meninas a se envolver com o universo da tecnologia.
 
`Existe uma questão cultural, que verificamos também no Brasil, de que trabalhar com a computação não é coisa para mulher. No nosso escritório em São Paulo temos muita dificuldade de encontrar novos talentos, principalmente mulheres`, afirmou. Para Eve, a família e, principalmente, os professores devem assumir o desafio de mudar esse paradigma.

`As mulheres são fundamentais nesse trabalho colaborativo, e precisam ser incentivadas desde cedo`, afirmou Eve ao Terra após encerrar sua palestra no TEDx, uma conferência independente organizada pela Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos) para discutir novas ideias para a educação.

Segundo Eve, o desenvolvimento econômico do Brasil não vem acompanhado de investimentos para formar novos profissionais para trabalhar nas áreas de tecnologia e engenharia e que esse é um dos maiores desafios do País nos próximos anos. Questionada sobre a formação dos profissionais nas universidades brasileiras, ela preferiu não opinar, já que `não tem conhecimento mais aprofundado` sobre o ensino superior no País.

No entanto, Eve criticou o fato de as universidades, de modo geral no mundo, estarem mais focadas em formar pesquisadores para a academia do que profissionais preparados para o mercado de trabalho. Segundo a executiva, que trabalha como head of publisher and distribuction do Google, é preciso incentivar a formação de um grupo de docentes nas instituições de ensino composto professores `tradicionais` e engenheiros que estão no mercado de trabalho.

Ela ainda alertou para a falta de preparo dos profissionais formados na área da ciêcia da computação. `Eu trabalhava numa empresa anteriormente onde chegamos a propor um prêmio de uma Ferrari para quem conseguisse indicar 10 bons engenheiros de software. Ninguém conseguiu`, lamentou.

De acordo com Eve, a dificuldade de encontrar talentos reside em dois problemas: os profissionais formados na maioria das universidades não estão preparados e, o mais grave, não há número suficiente de pessoas formadas na área de ciência da computação para dar conta do mercado mundial em expansão.

Para solucionar esses problemas, além do incentivo desde cedo para as carreiras da tecnologia, ela disse que é fundamental dispor de currículos mais atraentes e estimular as habilidades de cada jovem. `O professor, desde a escola até a universidade, tem papel fundamental nesse processo`, concluiu Eve.

O TEDxUnisinos acontece até o final da tarde desta quinta-feira, no centro de eventos da Fiergs, em Porto Alegre, e reúne especialistas em educação e pessoas que participaram de experiências exitosas na área.

Fonte: Terra Educação, por Angela Chagas

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de qualidade de educação


O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.
 
A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.

Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.

Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.

Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.

Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.

Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.

Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.

A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos`.

No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.

Cultura e impactos econômicos

Tidas como `super potências` da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul lideram o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.

Alemanha, Estados Unidos e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos.

O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.

Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de `Curva do Aprendizado`.

Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira `cultura` nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo. Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking.

Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.

Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um `valor moral` concedido à educação muito parecido.

O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.

Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.

Veja como ficou o ranking Pearson-EIU:

1. Finlândia
2. Coreia do Sul
3. Hong Kong
4. Japão
5. Cingapura
6. Grã-Bretanha
7. Holanda
8. Nova Zelândia
9. Suíça
10. Canadá
11. Irlanda
12. Dinamarca
13. Austrália
14. Polônia
15. Alemanha
16. Bélgica
17. Estados Unidos
18. Hungria
19. Eslováquia
20. Rússia
21. Suécia
22. República Tcheca
23. Áustria
24. Itália
25. França
26. Noruega
27. Portugal
28. Espanha
29. Israel
30. Bulgária
31. Grécia
32. Romênia
33. Chile
34. Turquia
35. Argentina
36. Colômbia
37. Tailândia
38. México
39. Brasil
40. Indonésia

Fonte: BBC

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mercadante inicia entrega de tablets para professores do ensino médio

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, entregou 200 tablets aos coordenadores estaduais do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo Integrado) e representantes de 18 universidades federais participantes do programa. Os equipamentos são destinados à capacitação de professores. “Há uma demanda explosiva por educação no Brasil. A desigualdade social está na escola”, disse o ministro em solenidade realizada no dia 20 de novembro, em Brasília.
 
Para Mercadante, começar a capacitação dos tablets pelo professor do ensino médio é estratégico. “Estamos discutindo como melhorar o ensino médio e temos que fortalecer o professor dentro de sala de aula e o melhor caminho é o tablet”, avaliou Mercadante.

Foram licitados pela pasta dois modelos de tablets, um com 7 polegadas (17,78 centímetros) e outro com 9,7 polegadas (24,638 centímetros). As vencedoras foram as empresas brasileiras Positivo e Digibras. Os estados e municípios podem aderir diretamente ao registro de preços, cuja ata terá vigência até junho de 2013.

Para dar início à capacitação pedagógica de professores do ensino médio da rede pública de todo país, o ministério adquiriu 5 mil unidades de tablets para serem utilizados no projeto piloto do Proinfo Integrado. A entrega dos aparelhos nas escolas será realizada em 2013. Os coordenadores do programa farão curso de formação para, em seguida, treinar os multiplicadores, que formarão os professores em cada estado participante.

O modelo de 7 polegadas para distribuição nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste tem um custo aos cofres públicos de R$ 278,90 e, para o Nordeste e Sul, de R$ 276,99. Já o modelo de 9,7 polegadas será adquirido pelos estados pelo valor de R$ 461,99 para o Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste e de R$ 462,49 para Nordeste e Sul. De acordo com o ministro, um tablet de 7 polegadas com as mesmas especificações é vendido no mercado brasileiro por R$ 799, em média.

Segundo Mercadante, com a entrega de novas tecnologias da informação, os professores e as escolas públicas vão poder combinar os equipamentos com as demais mídias. Ele citou o Portal do Professor, onde estão disponíveis cerca de 15 mil aulas criadas por educadores e aprovadas por um comitê editorial do MEC. Além disso, o ministro destacou que todas as obras literárias e livros didáticos adquiridos pela pasta também estão disponíveis no equipamento.

O Ministério da Educação (MEC) transferiu este ano R$ 117 milhões a 24 estados e Distrito Federal para compra de 382.317 tablets, que serão destinados inicialmente a professores de escolas de ensino médio do país.

Mercadante anunciou também que na próxima sexta-feira (23), ministros da Educação dos países do Mercosul vão se reunir em Brasília e lançarão um programa de intercâmbio digital.

Fonte: Heloisa Cristaldo – Agência Brasil

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rio de Janeiro terá escola integral focada em novas tecnologias

Uma escola onde o aluno será protagonista de sua formação, participando da construção do próprio saber e envolvendo-se nos processos de aprendizagem. É esta a ambição do Ginásio Experimental de Novas Tecnologias (GENTE), escola piloto de tempo integral que começa a ser implementada em 2013 na Rocinha, comunidade da zona sul carioca, pela Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro.
 
A primeira unidade do GENTE terá sede na Escola Municipal André Urani, com capacidade para atender 210 alunos do 7º ao 9º anos. Beatriz Alqueres, gerente de projetos estratégicos da Secretaria explica que os alunos não serão reunidos por ano seriado, mas por competências. “O objetivo não é trabalhar por conteúdo, mas com a construção de habilidades”, diz.

Norteada por um princípio de excelência acadêmica aliada aos projetos de vida dos alunos, a concepção do GENTE partiu de estudos feitos com escolas inovadoras internacionais, onde foi possível observar formas pioneiras nos processos de avaliação, na ambientação interna, na gestão e formação dos docentes.

Itinerários

Ao ingressar no GENTE todos os alunos passarão por uma prova diagnóstica para identificar possíveis deficiências ou níveis diferentes de aprendizagem. Feito o teste, os alunos receberão um itinerário formativo, com foco nas habilidades e competências que desenvolverão durante aquele período e pelas quais avançarão. As avaliações bimestrais serão realizadas por um sistema informatizado, aplicadas no computador, gerando resultados imediatamente.

Cumprida a grade de atividades básicas, o aluno pode escolher, segundo seus interesses, quais atividades eletivas quer realizar, constituindo uma aprendizagem individualizada e personalizada. Entre as disciplinas eletivas, estão “cineclube”, “construção de blogs como portfólio”, “inteligência artifical” – em parceria com a Universidade de Stanford –, “webdesign”, “programação básica” e “os últimos livros de Shakespeare, em inglês” – esta última viabilizada graças a uma parceria com a Universidade de Harvard.

Para proporcionar maior eficácia, as aulas valorizam a transdisciplinaridade, em ambientes amplos e integrados, com projetos desenvolvidos a partir de uma situação problema ou perguntas dos próprios alunos. Os professores são polivalentes, atuando em todos os núcleos do conhecimento. “O professor se torna um arquiteto da aprendizagem do aluno, disponibilizando recursos no itinerário do estudante. Seu papel não será o de transmissor, mas daquele que garante a aprendizagem”, ressalta Beatriz.

Solidários

A ideia é que o professor acompanhe os alunos mais de perto, tornando-se um tutor a partir das motivações identificadas com os ideais e projeto de vida elaborado pelo aluno. O efeito é estratégico. De acordo com Beatriz, “isso aumenta a motivação para se frequentar a escola, a assiduidade, encontrando mais sentido pela aplicação prática dos saberes”.

As novas tecnologias serão empregadas como recursos didáticos para motivar e ampliar o envolvimento dos alunos. Cadernos serão substituídos por tablets e smartphones, e usados tanto por alunos quanto professores.

Outro eixo norteador das atividades são o desenvolvimento das habilidades não cognitivas, tais como a desenvoltura socioemocional, além da criatividade e da colaboração em grupo. “Num projeto como esse, o foco é justamente criar cidadãos mais autônomos, solidários e competentes, capazes de intervir onde vivem com projetos e estratégias criticas e participativas”, ressalta Beatriz.

Rocinha

“A Rocinha é uma região da cidade com carência de escolas ginasiais que atendam do 7º ao 9º ano”, observa Beatriz Alquéres. Com três escolas municipais e um Ciep – Centro Integrado de Educação Pública –, a Rocinha é a região administrativa da cidade que tem a população com menor nível de escolaridade entre todas do município do Rio de Janeiro, segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com Beatriz, o local que abrigará o GENTE foi um clube esportivo, recentemente desativado, o que também favoreceu a transformação do espaço em unidade escolar de tempo integral. “Uma área que é dominada por uma milícia do tráfico vai depender de mil outros fatores [para mudar], mas também da formação das pessoas daquele território e da consciência da influência da participação deles na transformação”.
Território de alta vulnerabilidade social, a Rocinha, localizada entre os bairros da Gávea e São Conrado, conta atualmente com 69,3 mil moradores, segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No dia 13 de novembro de 2011, numa intervenção integrada entre as forças armadas e as polícias Federal, Civil e Militar, a comunidade viu serem apreendidas armas e drogas, além de terem sido detidos suspeitos e criminosos ligados ao narcotráfico.

Conhecida como “Operação Choque de Paz”, um ano depois a região permanece patrulhada por 700 policiais militares. Embora a ocupação tenha trazido serviços básicos que antes não chegavam à comunidade, como água, luz e coleta de lixo, outras solicitações ainda não foram atendidas, como melhoria no trânsito e tratamento de esgoto.

Fonte: Flávio AquistapacePortal Aprendiz

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"As escolas não estão preparadas para lidar com assuntos de exploração sexual, afirma professora

A garota de 11 anos morava com os pais e três irmãos em uma comunidade litorânea em Natal, Rio Grande do Norte, e viviam com cerca de um salário mínimo, proveniente de programas de transferência de renda. Apesar do pai alcoolista praticar violência física e psicológica contra a família, a menina era boa aluna, tinha o histórico de pontualidade, assiduidade e cumprimento das normas escolares. Mas seu comportamento mudou de repente. Com sucessivos sumiços de casa, faltas na escola e frequentes brigas pelo bairro e na sala de aula, a mãe suspeita que a filha estivesse induzida ao uso de drogas e sofrendo exploração sexual por pessoas da comunidade, traficantes e estrangeiros.
 
“Eu sei que uma criança sofreu algum tipo de violência porque é notável o rendimento escolar dela cair automaticamente, sem exceção”, afirma convicta a professora Juliana Delmonte, que dá aula de quinta série a terceiro ano do ensino médio numa escola estadual no Butantã, em São Paulo. “Essas meninas faltam muito. Ou a escola perde o sentido e elas a abandonam, ou a escola acaba fazendo muito sentido porque é o único ambiente onde elas não são violentadas”.

A professora é conhecida por coordenar o Grupo de Estudos Feministas Gilka Machado, nascido em 2011 numa escola em Interlagos e vencedor do prêmio nacional Construindo a Igualdade de Gênero, do mesmo ano. Divididas em dois grupos de 20 meninas cada, as garotas, vivendo num lugar onde a violência doméstica ou sexual é comum, discutem preconceito contra a mulher no cotidiano, a mulher na mídia e na política, machismo, violência e outros temas similares.

Segundo ela, o quadro é recorrente em classes mais pobres e não há nenhum material que aborde o assunto. “De forma alguma a escola está preparada. Os professores, geralmente quando não se omitem, corresponsabilizam e culpabilizam a vítima. A única ação que podemos fazer quando descobrimos algum caso de violência sexual é denunciar e encaminhar para o Conselho Tutelar, não depende só da instituição de ensino”, explica Delmonte.

Números crescentes

O aumento do número de denúncias é significativo. De janeiro a abril de 2012, o Disque 100 recebeu 34.142 denúncias referentes à violação de direitos humanos contra crianças e adolescentes, representando 71% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. Desde março de 2011, o atendimento do Disque 100 foi ampliado, passando a funcionar todos os dias, 24 horas.

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), de janeiro a setembro de 2012 foram registrados no país 6.637 casos de exploração sexual no Disque 100. Bahia lidera o número de denúncias recebidas, com 643 ligações (11,4% do total). Em seguida, aparecem Rio de Janeiro com 540 denúncias (9,6%), e São Paulo, com 538 (9,5%). Roraima é o Estado com menos denúncias, apenas nove durante o ano. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que, em 2009 no Brasil, 100 mil meninos e meninas são vítimas de exploração sexual.

O caso da adolescente de Natal foi encaminhado e cuidado pelo Centro de Defesa da Criança e Adolescente – CEDECA Casa Renascer, uma organização sem fins lucrativos que atua desde 1991 em Natal, em defesa dos direitos de crianças e de adolescentes em situação de risco pessoal e social, principalmente aquelas violentadas sexualmente. Hoje, a jovem com 16 anos tem um filho, estuda, ajuda a mãe na produção de artesanatos e vive com a família na mesma comunidade de origem.

Porém, de acordo com o relatório do CEDECA, não há comprovação quanto à ressignificação da violência vivenciada por ela, considerando que o consumo de drogas e a exploração sexual só foram encerrados em razão da morte do agressor que aliciava a menina, e não em um processo de garantia do direito dessa adolescente. “Entende-se, portanto, que a violência a que esta adolescente foi exposta reflete a realidade de outras crianças e adolescentes na comunidade necessitando, assim, de ações efetivas por parte do sistema de garantia de direitos considerando a vulnerabilidade instalada”, conclui o documento.

Iniciativas de combate

O governo federal enfrenta essa questão por meio do Programa de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que integra o Programa Avança Brasil. São realizados mais de 30 mil atendimentos anuais por meio das ações desenvolvidas no Programa Sentinela, com a criação de 25 Centros de Referência em 24 municípios no país.

Outra iniciativa federal é o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, lançado em 2000 e articulado junto à sociedade civil organizada. O trabalho é responsável por estruturar políticas e serviços que garantam os direitos da criança e do adolescente, e possui eixos estratégicos que estabelecem metas, parcerias e prazos a serem cumpridos para reduzir os casos de abuso e exploração sexual e garantir o atendimento de qualidade para as vítimas e a suas famílias.

Criado pelo Conselho Nacional do SESI (Serviço Social da Indústria), com a contribuição de diversas instituições e profissionais que atuam nesse campo, o Projeto ViraVida atua desde 2008 oferecendo formação profissional e emprego a adolescentes e jovens, vítimas de exploração sexual, abrindo caminhos para uma mudar o enredo de suas vidas. O Programa foi iniciado em quatro capitais e hoje atende 1.238 alunos em 19 cidades. Desde a implantação em 2008 até outubro de 2012, 2.552 adolescentes e jovens haviam sido matriculados no ViraVida. A longo prazo, a perspectiva do SESI é levar o programa a todos os municípios atingidos por redes de exploração sexual.

Em âmbito estadual e presente em 30 municípios de São Paulo, o Projeto Ação Proteção busca articular, sensibilizar e capacitar os participantes do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) para enfrentar a violência sexual. O Projeto é uma iniciativa da Fundação Telefônica em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo e da ONG Childhood Brasil.

Fonte: Yuri Kiddo, da Pró-Menino, da Fundação Telefônica-Vivo – Portal Aprendiz

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aula por Skype: ferramenta está sendo usada de alunos de inglês a engenheiros da Nasa

Mais conhecido por baratear ligações e facilitar videoconferências, o Skype não está restrito a esse serviço. Desde 2011, a ferramenta Skype in the Classroom (Skype na Sala de Aula) promove a troca de experiências entre educadores e alunos do mundo todo. Na lista de usuários há de estudantes de inglês a engenheiros da Nasa (agência espacial americana).
 
O Skype na Sala de Aula é uma experiência do chamado `crowdlearning`. No caso dos estudantes, a ferramenta possibilita bate-papos com estrangeiros, que são convidados para dar conferências, sem saírem da classe. De quebra, exige-se dos alunos conhecimentos tanto orais quanto de escrita em inglês ou de outro idioma disponível.

A recente adesão ao Skype na Sala de Aula é da Nasa. No lugar do professor tradicional, são os especialistas e os engenheiros da agência espacial americana que explicam como funciona o universo.

A iniciativa, chamada de Nasa Digital Learning Networking, dá preferência a escolas americanas, mas as internacionais podem participar desde que tenham parceria com alguma instituição daquele país.

Além da Nasa, a Microsoft, a Penguin Books, a Peace on Day Education e o Museu de Ciências de Londres são também parceiros do `Skype in the Classroom`, além de outras instituções.

Os temas são interessantes e focam assuntos gerais, como o aquecimento mundial, e temas que fazem parte do cotidiano da escola, como a merenda, os clubes de leitura em inglês e as aulas de espanhol.

No Brasil

Educadoras da Cultura Inglesa, unidade em Petrópolis (RJ), já testaram o Skype na Sala de Aula. A rede aposta no projeto Digital Integration, que utiliza recursos digitais para ampliar a vivência do idioma.

“O uso do sistema proporciona aos estudantes uma oportunidade de desenvolvimento linguístico para além das quatro paredes da sala de aula”, comenta a diretor-superintendente da Cultura Inglesa, Maria Lucia Willemsens.

O grupo já conversou, por videoconferência, com alunos de escolas dos EUA e do Canadá, compartilhando histórias sobre a rotina de estudos, hábitos de vida e culturas diferentes. Tudo, claro, em inglês.

Hoje os educadores que integram a rede social – a participação brasileira ainda é baixa – ultrapassam os 4 mil. São eles que postam as mais de 2.300 lições disponíveis.

Há também muita iniciativa solitária que não emplaca. Para driblar esse problema, o site indica a quanto andas o interesse geral (adesões de usuários) de uma aula ou grupo de discussão. E a busca de usuários é feita por filtro por faixa etária (dos três anos em diante), idioma ou áreas de interesse.

Como a ideia é agregar os quatro pontos do planeta, existe até uma versão atualizada do Penpal, a rede para fazer amigos fora do Brasil que, bem antes de a internet surgir, conectava brasileiros a estrangeiros por meio de cartas enviadas pelo correio.

Para acessar o Skype na Sala de Aula, basta entrar no site education.skype.com e se logar com a conta tradicional do Skype.

Fonte: Uol Educação, por Cláudia Emi Izumi

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

'País sai derrotado', diz especialista sobre veto a 100% dos royalties do petróleo para educação

A Câmara aprovou nesta terça-feira, 6 de novembro, o texto-base do Senado sobre o projeto que muda a distribuição dos royalties do petróleo. Foram 286 votos a favor e 124 contrários. Com isso, o texto segue agora para a sanção da presidente Dilma Rousseff.
 
O projeto do Senado, de autoria de Vital do Rêgo (PMDB-PB), diferente da proposta derrotada em plenário, de Carlos Zarattini (PT-SP), não traz vinculação de áreas em que os recursos devem ser gastos. Zarattini defendia que a totalidade da receita com royalties do governo federal, Estados e municípios teria de ser aplicada em educação.

`O País sai derrotado dessa luta`, avalia Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. `O repasse das receitas dos royalties era uma das alternativas mais promissoras para a destinação de 10% do PIB para educação`, afirma, referindo-se à meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado na Câmara em julho deste ano. O porcentual é quase o dobro do que é aplicado atualmente em educação no País.

Pela manhã, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, esteve na Câmara para defender a destinação integral dos recursos do pré-sal à educação pública. “O Brasil tem de aproveitar um dinheiro que nunca foi repartido para eleger uma prioridade, e a prioridade das prioridades é a educação”, disse na ocasião.

Mercadante afirmou ainda que a educação é a base de todo desenvolvimento do País. “Se nós não distribuirmos educação, dermos a mesma oportunidade, não vamos resolver o principal problema do desenvolvimento do Brasil”, disse. “Ciência e tecnologia dependem da educação; defesa depende da educação; saúde depende da educação.”

Diante da derrota, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação deve trabalhar junto aos parlamentares que votaram pela aprovação do texto do Senado e também com o governo federal. A expectativa é de que a presidente vete o texto.

Fonte: Estadão.edu – O Estado de São Paulo