terça-feira, 12 de junho de 2012

Juventude, currículo e sociedade da informação: as chaves para a integração das TICs na educação

Marcia Padilha. Coordenadora do IDIE TICs 
(Instituto para o Desenvolvimento e a Inovação 
Educativas especializado em TICs), uma iniciativa da 
OEI em parceria com a Fundação Telefônica)

Para refletir sobre as proposições de indicadores e metas sobre TICs no documento “Metas Educativas 2021” é importante retomar os temas do reconhecimento e promoção da juventude em suas particularidades e o tema do currículo significativo: dois pontos fundamentais se queremos enfrentar o desafio de colocar mais de 95% de nossas crianças e jovens, por doze anos, dentro de uma escola com condições de lhes transformar a vida, de enriquecer sua relação com o aprender, de promover sua inserção social cidadã, de ampliar sua visão de mundo e suas ambições pessoais e profissionais.

Um currículo significativo para a juventude do século XXI, urbana e rural, deve proporcionar uma experiência escolar que possibilite ao aluno egresso do sistema público de ensino reconhecer na escola uma instituição social que tenha concorrido fortemente para sua capacidade de aprender a ser, a conviver, a fazer e a aprender na sociedade da informação. Somente esse reconhecimento fará da educação um valor prioritário para cada cidadão e para o conjunto das sociedades, possibilitando o comprometimento com a perenidade das condições necessárias para o avanço até uma sociedade educadora. É urgente criar um círculo virtuoso entre juventude e escola.

As tecnologias da informação e da comunicação são um dos elementos-chave com potencial para estabelecer configurações de ensino e de aprendizagem satisfatórias e necessárias para que esta geração venha a receber a melhor educação na história da região iberoamericana.

Não são poucos os recursos invertidos para o estabelecimento das condições necessárias para a entrada das TICs na escola: infraestrutura de telecomunicações, equipamentos escolares e sua manutenção, produção de conteúdos digitais educativos e capacitação docente.

No entanto, deve-se repetir à exaustão: tais investimentos serão insuficientes se as políticas públicas não forem desenhadas a partir da compreensão da dimensão e da natureza dos impactos da sociedade da informação (ou do conhecimento) nas novas configurações de produção de conhecimento, de criação artística e cultural e de redes sociais na vida dos jovens.  E, especialmente nos países pobres ou em desenvolvimento, da compreensão do potencial das TICs como instrumentos de acesso a cultura e a bens simbólicos (o que de per si já seria o suficiente) e, ainda, para o empoderamento dos jovens como produtores de cultura, de arte e de conhecimento. Finalmente, há que se aperceber claramente do enorme potencial de ampliação de redes sociais e oportunidades de aprendizagens para uma população jovem em grande parte submetida a situações de isolamento, seja na zona rural seja nas periferias dos centros urbanos. Soluções inovadoras e de impacto só terão chances de germinar se docentes e dirigentes escolares, assim como os agentes centrais dos sistemas de ensino, forem capazes de responder ao desafio de educar na sociedade da educação, no contexto específico econômico e social que configura o capitalismo atual.

Desse ponto de vista, três aspectos devem ser observados para buscar uma inserção mais efetiva das TICs na educação, e que, de algum modo, devem estar em diálogo com a proposição de alguns poucos indicadores possíveis de serem adotados em um plano da natureza do plano de “Metas 2021”. Que a integração das TICs na educação:
 
  1. proporcione o nível de letramento digital necessário a cada etapa da educação para  que crianças e jovens possam desfrutar de inclusão digital (arte e cultura, conhecimento, governo eletrônico, redes sociais, trabalho)
  2. proporcione novas possibilidades de aprendizagem dos conteúdos curriculares estabelecidos (por meio de recursos digitais de simulação e interatividade, comunidades de aprendizagem, ferramentas de avaliação de aprendizagem)
  3. contribua para aumentar o grau de acesso de crianças, jovens e docentes à cultura (a bens simbólicos, a cultura sistematizada, às culturas juvenis próprias e de outros grupos) e a novas redes sociais.

Com foco nessas considerações aponta-se algumas sugestões e perguntas sobre as metas e níveis de consecução propostos no documento “Metas 2021” a respeito de TICs.

Indicador 13. Razão de alunos por computador.
Nível de consecução. Conseguir que a proporção entre computador e aluno se encontre entre 1/8 e 1/40 em 2015 e entre 1/1 e 1/10 em 2021.

Esta é o indicador que demanda mais debate. A primeira sugestão é acrescentar uma verificação da porcentagem de escolas com conexão rápida à Internet.

Ainda assim, é importante questionar os critérios que embasam este indicador tal como está. Talvez fosse preciso ponderar em termos de impactos ambientais, de mercado, de custos de manutenção de máquinas, atualização de softwares e de gestão o que significaria para os sistemas públicos de ensino na região tal responsabilidade e a relação custo/benefício aí implicada. Descendo a especificações do indicador, a meta de 1/1 levaria em consideração escolas com dois turnos ou esperamos escolas de turno único e o número computadores deveria ser igual à soma de alunos matriculados? Isso seria realmente necessário?  Parte-se do pressuposto de que a situação de uso de um para um no contexto escolar é a situação ótima do ponto de vista de aprendizagem. Por outro lado, modelos de uso “um para um” com mobilidade estão apenas iniciando e, embora promissores, necessitam de avaliações.

É um debate a se aprofundar. Vale questionar se o ideal não seria valorizar um equilíbrio entre número de máquinas e o acesso à conexão rápida à Internet nas escolas, chegando-se a um indicador que equilibrasse uma determinada proporção de alunos por computador com a condição de uso de internet rápida, de web 2.0 etc. A preocupação é focar este indicador na horizontalização do acesso, evitando que as médias positivas (por exemplo 1/10 ou 1/1) possam escamotear as desigualdades que caracterizam a região (escolas com 1/1 e escolas sem computadores). As perguntas são: seria mais importante garantir que todas as escolas tenham computadores com acesso à Internet em um número razoável de máquinas por aluno? Que softwares e funcionalidades devem existir em tais computadores para permitir o uso educativo de alunos e professores? A situação de uso individual do computador na escola é a ideal? Como evitar que se abra uma corrida para aumento da quantidade de máquinas oferecidas sem a implantação das devidas soluções – via de regra, complexas – para um bom aproveitamento educativo dos recursos de TICs de acordo com os programas de educação de cada país? Quais outras políticas de incentivo ao acesso individual domiciliar ou público à Internet devem ser promovidas?

Indicador 19. Freqüência de uso do computador na escola por alunos.
Nível de consecução. Conseguir que os professores e os alunos utilize o computador no processo de ensino e de aprendizagem de forma habitual em 2021.


Este indicador é inquestionável e bastante objetivo e retrata o desejo de que o uso de TICs na educação seja incorporado de forma orgânica ao cotidiano da escola, assim como outros recursos midiáticos como a TV e o rádio. Terá mais valor se for possível verificar o quanto desse uso é realizado com os recursos da Internet.

Indicador 22. Porcentagem de alunos e alunas que seguem formação científica ou técnica nos estudos pós-obrigatórios.
Nível de consecução. Aumento da escolha por estudos científicos e técnicos por alunos e alunas.


Este indicador merece destaque por sua assertividade. Além de ser um dado importante para a medição em relação a desenvolvimento e inovação tecnológica dos países, pode ser indicativo do quanto os currículos escolares são capazes de desenvolver o entendimento do funcionamento, da lógica e das estruturas tecnológicas e científicas implicadas na informática.

Finalmente, parece possível sugerir que, uma vez que se trabalha com um cenário de presença de conexão à Internet em todas as escolas, seria possível agregar aos indicadores de formação docente um indicador relativo à porcentagen de profissionais participantes de programas de formação continuada a distância em suas próprias escolas por ano; aos indicadores de mais e melhor inversão agregar a porcentagem de escolas beneficiadas por programas informáticos de gestão escolar.

terça-feira, 5 de junho de 2012

ENEM alcança mais de 2,3 milhões de inscritos na primeira semana


Nos dias 2 e 3 de junho, primeiro fim de semana de inscrições, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 recebeu o registro de aproximadamente 400 mil estudantes. Até as 9 horas desta segunda-feira, 6, o total de inscrições chegou a 2,36 milhões — o processo foi aberto em 28 de maio.

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia são as unidades da Federação com maior número de inscritos. A expectativa do Ministério da Educação é superar a marca dos 6 milhões. Pelas previsões do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), depois do primeiro fim de semana o ritmo de acesso ao sistema deve diminuir e ser retomado somente nos últimos dias de inscrições.

Os candidatos a vagas na educação superior pública têm prazo até as 23h59 do dia 15 próximo para providenciar a inscrição. Feita apenas pela internet, ela será confirmada após o pagamento da taxa, de R$ 35, até o dia 20, por meio de guia de recolhimento da União (GRU) simples. Aluno de escola pública que esteja concluindo o ensino médio e se declarar integrante de família de baixa renda está liberado do pagamento. O pedido de isenção deve ser feito no momento da inscrição, também pela internet.

As provas serão aplicadas em 3 e 4 de novembro, em todas as unidades da Federação, a partir das 13 horas (de Brasília). No primeiro dia, sábado, serão realizadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de quatro horas e meia. No domingo, os estudantes terão cinco horas e meia para fazer as de matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias e a redação.

A divulgação do gabarito oficial, como estabelece o edital, está prevista para 7 de novembro. O resultado final do exame estará disponível para os estudantes a partir de 28 de dezembro.

Na página do Enem na internet o candidato pode fazer a inscrição e seguir, passo a passo, todo o procedimento e o calendário relativos ao exame.

Fonte: Ministério da Educação, por Assessoria de Comunicação Social

segunda-feira, 4 de junho de 2012

16 mil pessoas participam do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica


Com apresentações artísticas e a leitura da carta final, com 11 itens, terminou nesta sexta-feira, 1° de junho, a segunda edição do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica. Durante a solenidade de encerramento também foi anunciada a sede da próxima edição. Será o estado de Pernambuco. 

Mais de 16 mil participantes de 30 países se reuniram ao longo da última semana durante o evento para discutir temas ligados à educação profissional e tecnológica, à sustentabilidade, à democratização e à emancipação proporcionadas pelo ensino. Todos os estados brasileiros estiveram representados no fórum. 

As discussões foram além da educação profissional em si. Os debates, conferências e palestras ressaltaram o caráter interdisciplinar do tema, interligando-o com assuntos como mercado de trabalho, reestruturação produtiva, software livre, meio ambiente – o fórum integra a lista de eventos preparatórios para a Rio+20, entre outros. 

Para a coordenadora-geral do evento e reitora do Instituto Federal de Santa Catarina, Maria Clara Kaschny Schneider, o fórum cumpriu sua missão. “Superamos a expectativa de público e de qualidade. A proposta foi levar a uma dinâmica que ampliasse o debate sobre a educação profissional e tecnológica”, explicou. 

O presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, Denio Rebello Arantes, acredita que as instituições participantes ganharam muito com os debates, palestras e conferências do evento. “Um espaço como este, multitemático e com diversidade de público, é interessante porque permite que consigamos enxergar a educação profissional de ângulos diferentes”, afirma. 

O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica integra o Fórum Mundial de Educação e o Fórum Social Mundial. 

Homenagem – A fundadora da Pastoral da Criança, a pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, foi homenageada durante o evento. Ao longo de sua vida, a médica recebeu diversos prêmios pelo trabalho humanitário que desenvolveu. Zilda Arns morreu em 2010 durante um terremoto que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, matando milhares de pessoas. 

Os participantes do evento também aprovaram uma moção de apoio à Comissão da Verdade, criada pelo governo federal para investigar violações aos direitos humanos cometidas no Brasil entre 1946 e 1988. 

Mais informações sobre os cinco dias de evento podem ser obtidas no portal do evento. 

Fonte: Ministério da Educação, por Danilo Almeida.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Vem ai: Seminário Presencial - uso inovador das tecnologias digitais na educação. Participe!


Redação terá avaliação de itens de competência e correção mais rigorosa


O Enem de 2012 virá com mudanças e mais rigor na correção da redação. A partir deste ano, o texto produzido pelos candidatos será corrigido por dois corretores de forma independente e haverá cinco itens de objetividade sendo avaliados. Caso haja diferença maior que 20% na nota final entre esses dois corretores, a redação será lida por um terceiro corretor.

E se, ainda assim, a discrepância persistir, ou seja, a diferença entre as três notas for superior a 200 pontos, a dissertação passará para uma banca examinadora de excelência, composta por três professores avaliadores e que darão então a nota final ao participante. No Enem de 2011, a discrepância entre as notas finais dos corretores podia ser maior, chegando a até 300 pontos, e havia dois corretores.

“Mudamos substancialmente o sistema de avaliação da redação para que haja maior objetividade e segurança aos estudantes. É uma avaliação com muito mais rigor para que tenhamos uma avaliação justa”, afirmou o ministro Aloizio Mercadante, em entrevista coletiva à imprensa, nesta quinta-feira, 25, no auditório do edifício-sede do Ministério da Educação. Segundo ele, para aprimorar a correção da redação haverá um aumento de 40% no número de avaliadores.

Também é novidade na redação a divisão da nota em cinco itens de competência: domínio da língua portuguesa, compreensão do tema proposto, capacidade de selecionar e organizar ideias, demonstração de conhecimento sobre o tema e apresentação de solução para a proposta dissertativa.

Cada um dos corretores deverá atribuir nota de zero a 200 pontos para cada uma dessas competências. Havendo discrepância maior que 80 pontos em cada uma, o terceiro corretor avaliará e atribuirá notas segundo o mesmo critério.

Por exemplo, a nota do primeiro corretor é de 640 pontos e a do segundo, 480. A priori, a diferença é inferior a 200 pontos e a nota final da redação desse candidato seria a média aritmética das suas notas. Mas, se na competência 1 a nota de um corretor tiver sido 160 e o do outro, 40, a redação será encaminhada para o terceiro corretor. Se a nota dele, nessa competência, se aproximar da de um dos dois corretores anteriores – por exemplo, nota 120 –, não haverá necessidade da banca examinadora. A nota mais baixa na competência com dispersão será eliminada. A nota final da redação será a média aritmética das duas notas mais próximas.

Em julho, um guia será enviado aos candidatos inscritos no Enem 2012, com explicações sobre as novas regras de correção da redação. “Esse manual, que estará disponível no portal do MEC, trará exemplos concretos, com textos, do que será cobrado em cada competência. E também trará exemplos de redação de excelência”, disse o ministro Aloizio Mercadante.  O estudante terá nota zero se o texto fugir do tema proposto, apresentar estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo ou tiver sete linhas ou menos.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, após a divulgação dos resultados das provas do Enem, todos os corretores passarão por um treinamento online sobre o texto específico da redação. E, conforme acordado com a Justiça, os estudantes poderão ter acesso à redação. “Estamos definindo como será essa operacionalização para ter segurança no processo”, adiantou o ministro. 

Ouça os principais momentos da entrevista do ministro sobre o Enem

Acesse a apresentação do ministro 

Fonte: Ministério da Educação, por Rovênia Amorim

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ensino a distância é parceiro da educação!


"Após o lançamento de plataforma de ensino online, o responsável pela área acadêmica de Harvard diz que nenhuma instituição pode ficar de fora da web".

A internet costumava terreno de experimentações para as grandes universidades. Agora, ela é a peça central para o futuro de prestigiadas instituições. Na semana passada, a Universidade Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT) anunciaram o edX, uma plataforma online de educação a distância que vai disponibilizar cursos e conteúdos na web a custo zero. “Nenhuma grande universidade hoje se furta a explorar as potencialidades da internet”, diz Alan Garber, responsável pela área acadêmica de Harvard e pela parceria com o MIT. “Estar ausente nessa seara não é mais uma opção. A pergunta que as instituições se fazem agora é quando e como abraçar a internet.” Este é não é o primeiro investimento de Harvard em educação online mas certamente é o mais ambicioso. Com a nova ferramenta, a universidade pretende conhecer melhor o processo de aprendizado dos estudantes e aplicar as descobertas em esforços para melhor a qualidade de suas aulas. "Com a chegada da internet existe uma revolução", diz Garber. Para os que temem que a os avanços da internet minem as relações interpessoais proporcionadas pela convivência diária no campus, o acadêmico respode: o ensino a distância é um aliado da educação. Confira a entrevista que Alan Garber concedeu ao site de VEJA:

Quando começaram as discussões para a criação do edX? Há bastante tempo discutíamos em Harvard o tema da educação à distância. A parceria com o MIT em especial surgiu há cerca de cinco meses. Percebemos naquele momento que as duas instituições tinham muito em comum e as coisas acabaram acontecendo muito rápido.

O que motivou essa parceria? Queremos oferecer educação de qualidade para todo o mundo, melhorar o aprendizado em nosso próprio campus e realizar pesquisas aprofundadas a respeito de como as pessoas aprendem para, posteriormente, utilizarmos esses dados para aperfeiçoar a maneira como ensinamos. O edX foi criado para satisfazer esses nossos três objetivos.

A que o senhor se refere quando diz que pretende conhecer com profundidade a maneira como as pessoas aprendem? Tradicionalmente quando pensamos em medir como as pessoas aprendem, pensamos em testes padronizados que aferem o conhecimento e a partir daí são analisadas possibilidades que podem melhorar o aprendizado. Com a chegada da internet existe uma revolução. Agora sabemos com precisão o tempo que cada estudante gasta resolvendo um exercício ou quantas vezes ele precisa assistir a um vídeo até que apreenda todo o conteúdo. Sabemos onde ele clica, quando ele pausa, acelera ou simplesmente desiste de resolver algum problema. Isso tudo nos dá a dimensão exata da evolução de cada um dos estudantes e de seu processo de aprendizagem. Ainda está em discussão que tipo de dados vamos coletar e como eles serão utilizados. De qualquer forma, trata-se de um projeto bastante ambicioso.

O edX é a primeira incursão de Harvard no ensino online? Não. Já temos em funcionamento a Harvard Extension School, que oferece vídeos, cursos e certificados profissionais. Mas com o edX é a primeira vez que trabalhamos em parceria com outra instituição nessa campo.

Diante dos avanços da tecnologia, uma grande universidade pode se furtar a fazer usos de ferramentas online hoje em dia? Não. Estar ausente nessa seara não é mais uma opção. Esse é um ponto pacífico pelo menos aqui nos Estados Unidos. As universidades não se perguntam mais se vão ou não vão fazer uso de plataformas online. A pergunta que elas se fazem agora é quando e como abraçar a internet. Elas estão convencidas de que essa ferramenta vai ajudá-las em sua missão. Algumas já fizeram investimentos milionários nessa área há alguns anos e outras estão esperando. Nós, Harvard e MIT, acreditamos que o momento certo é agora.

Harvard é uma das mais prestigiadas e rigorosas universidade do mundo. Os padrões de qualidade serão os mesmo na internet que no campus da instituição?
Tenho a certeza de que nosso padrão será o mesmo, mas as formas de avaliar o sucesso dos alunos e da metodologia empregada serão diferentes pelo simples fato de que os cursos serão diferentes. O conteúdo disponível na internet não é o mesmo que estará na sala de aula.

Existe um público específico que atende aos cursos online ou eles são feitos para todo mundo? Essa é uma questão a ser respondida com o tempo. Ainda não é possível dizer com precisão que tipo de aluno aprende melhor na internet. O que sabemos até o momento devido às nossas experiências anteriores é que esse tipo de ensino atinge um número grande de pessoas uma vez que é possível ter flexibilidade e as barreiras geográficas são minimizadas na web. Mas também é verdade que algumas pessoas se adequam melhor ao sistema online que outras. Com o passar do tempo, saberemos mais sobre isso e como identificar cada um dos grupos.

É possível ensinar disciplinas mais densas e complexas como filosofia na internet? Esse também é um tema que vamos descobrir ao longo da experiência. Vamos oferecer cursos de ciências humanas também e analisar como eles funcionam na prática. Eu tendo a acreditar que é possível sim, mas é necessária uma abordagem diferente da de um curso de negócios ou de computação.

Algumas pessoas se perguntam se os cursos online vão matar o contato pessoal, tão importante durante a formação dos universitários. Qual a reposta do senhor a esse temor? Não vejo que em um futuro próximo os cursos online vão acabar com o relacionamento interpessoal. Ao contrário: acredito que eles estarão caminhando juntos, em prol da educação. Com a internet, por exemplo, podemos repensar a maneira como usamos o tempo dentro da sala de aula. Isso dá liberdade para que professores e alunos experimentem novas formas de aprender. Isso porque os mestres esperam que os estudantes tenham contato com a matéria em casa e vão às aulas para discutir ou levantar questionamentos mais profundos e não para ter uma aula expositiva, como ainda acontece na maioria dos casos. Além disso, existem milhares de pessoas ao redor do mundo que gostariam de estar em Harvard mas, por diversos motivos, não podem chegar até nós. Uma plataforma online é a chance de ter ensino de excelência em qualquer canto do planeta.

Fonte: Veja, por Nathália Goulart

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Bienal do Livro de Minas está de volta!


Entre os dias 18 a 27 de maio de 2012, um dos principais encontros de literatura do Estado aporta no Expominas homenageando o escritor Bartolomeu Campos de Queirós, morto em janeiro último, além de celebrar Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues e Lúcio Cardoso.

Com programação cultural diversa e entradas a preços populares o evento receberá, ainda, escritores dos mais diversos segmentos – Ana Maria Machado, Fabrício Carpinejar, Frei Betto, Juan Pablo Vila-lobos, Luiz Ruffato, Mary Del Priore, Maurício Kubrusly, Marcia Tiburi, Míriam Leitão, Patrícya Travassos, Pedro Bandeira e Zuenir Ventura, entre outros nomes.

Com investimento de R$ 4,3 milhões em infraestrutura, a Bienal contará, nesta edição, com 160 expositores responsáveis por promover lançamentos, bate-papos e sessões de autógrafos nos espaços. Durante os dez dias, são aguardados cerca de 250 mil visitantes – 46 mil participantes da Visitação Escolar, um dos projetos educacionais mais importantes do encontro. "É engraçado porque sabe-se que a venda de livros diminuiu bastante nos últimos anos, mas estamos em uma era onde nunca se leu tanto", comenta o curador Afonso Borges.

Mais uma vez, caberá ao espaço "Café Literário" continuar como o principal centro de debates da Bienal. Na lista de quem marcará presença estão nomes como Amyr Klink, André Trigueiro, Carlos Alberto Sardenberg, Edney Silvestre, Lucas Figueiredo e Sérgio Abranches. Como mediadores, o espaço contará com autores como: Adriano Macedo, Carlos Herculano Lopes, Cristina Agostinho, Dagmar Braga, Leo Cunha, Luís Giffoni e Sérgio Fantini.

Entre as novidades, está o espaço "Livro Encenado". Lá, s atores são convidados para leituras dramatizadas de clássicos da literatura: Arlete Salles, Antônio Calloni e Milton Gonçalves. "Serão trabalhados quatro eixos centrais na programação: amor, felicidade, ódio e morte. O espaço abrigará, ainda, tributos ao dramaturgo Nelson Rodrigues e ao escritor Lúcio Cardoso, cujos centenários de nascimento são comemorados este ano", comenta o curador do espaço Carlos Gradim. Ainda dentro do "Livro Encenado" serão trabalhados textos de Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Bartolomeu Campos de Queirós, Rubem Alves e Edmundo de Novaes Gomes.

Para fisgar o público juvenil a Bienal traz o "Território Jovem" – espaço pop dedicado a levar seus leitores aos principais temas da geração, discutindo conflitos da adolescência às temáticas do momento.

Nesse espaço, chegam para bater-papo com o público, a escritora Thalita Rebouças – uma das preferidas dos adolescentes, com quase um milhão de livros vendidos (como "Traição entre amigas", "Fala sério, Mãe!" e "Tudo por um namorado") e Pedro Bandeira, considerado um dos 25 autores mais admirados do Brasil e que, aos 80 anos (e quase 80 obras publicadas), abrirá espaço para falar aos jovens leitores sobre literatura e sua trajetória. O "Território Jovem" também receberá o escritor André Vianco e o jornalista Maurício Kubrusly.

"Inovamos a programação, mas mantivemos o que foi sucesso na outra edição. A literatura é sempre uma porta aberta para a diversidade e é nisso que apostamos realmente. Trouxemos para a Bienal um mundo eclético", comenta Borges.

Fonte: Hoje em Dia, por Clarissa Carvalhares